segunda-feira, 12 de setembro de 2011

PRECISAMOS DESEJAR CEAR (Lc 22.14-19)

Ceia não é apenas ato memorial, deve ser um ato desejado, um ato de comunhão. Quando olhamos para o texto, vemos o Senhor declarar que desejou ansiosamente por aquele momento. Ele estava celebrando a Páscoa com os discípulos e é neste momento que o Senhor instituiu a ceia.
Cear é ter um momento intimo, é desfrutar da companhia, é compartilhar a mesa. Na mesa estamos lado a lado. Jesus disse aos seus discípulos que desejava muito cear com eles (Lucas 22:15), não só para comer, mas principalmente para partilhar com eles a sua vida. O desejo de Jesus de estar com seus discípulos era muito maior do que de cumprir um ritual religioso judaico. Naquele momento tão especial Jesus ensina-lhes o princípio da mutua sujeição dando o exemplo. A mesa propicia a comunhão, o olhar no olho, o aproximar-se. É impossível estar a mesa e não ser impelido ao perdão.
O Senhor desejou celebrar este ato com os seus discípulos. Portanto, devemos desejar participar da celebração da ceia, pois ela nos lembra a substituição, nos aponta para o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, nos mostra que foi através do seu sangue vertido na cruz do Calvário que nós fomos absolvidos, perdoados.
Devemos desejar participar da ceia porque ela é a celebração da vida, mostra que o Senhor passa por cima de nós. Fala que o pecado não tem mais poder sobre nós, por causa do sacrifício remidor do Senhor Jesus. O Senhor nos resgatou e nos deu direito à vida.
Ceia é um ato de comunhão
O Senhor toma o pão e dá aos discípulos. Ele toma o cálice e dá aos discípulos e este é repartido entre eles, falando de comunhão, comunhão com Deus e com os irmãos. Não é um ato solitário e egoísta, porque a Páscoa quando era celebrada pelo povo de Israel, era a festa da família.
A questão é: o que compartilhamos na ceia? Precisamos primeiro entender o significado dos elementos que compõem a ceia, que são o pão e o vinho:
Pão lembra sobrevivência, condição de vida. O pão que desceu do céu, o maná que o Senhor providenciou para que Seu povo, saído do Egito fosse alimentado, trouxe sobrevivência no deserto e fez com que eles pudessem chegar à Terra Prometida.
Hoje, vivemos debaixo de uma Nova Aliança por meio de Cristo Jesus, o Pão da Vida, que nos vivificou quando estávamos mortos em nossos delitos e pecados, ressuscitando-nos com Ele.
O Pão representa, então, o corpo de Cristo sacrificado em nosso lugar. Partir o pão significa recordar a grandeza desse sacrifício e que, através dele, recebemos, pela fé, a vida eterna!
Vinho, fruto da videira, representa o sangue purificador de Jesus, cuja vida não terminou com o último suspiro, com a morte, com o sepultamento. Porque Ele ressuscitou, e isso significa vida, vida completa, vida que não se acaba, vida como satisfação na alma, no corpo e no espírito.
Nosso Salvador não está morto, Ele vive! Aquela morte foi tão somente um acesso, uma porta, o saguão, através do qual todos os que se arrependem de seus pecados e recebem Jesus como Senhor e Salvador, adentram a vida eterna. "
“Eu sou a porta", ensina Jesus, e quando adentramos por ela compartilhamos da sua vida. Ele se entrega a nós, dá sua vida para que possamos ser resgatados e libertos do pecado. Ele assume o nosso pecado. O que nós compartilhamos com o Senhor é a nossa tragédia e dor. Ele as assume e crava-as na cruz do Calvário, compartilhando conosco o perdão e a nova vida.
Na Ceia temos lugar à comunhão e a igualdade.
Na ceia somos todos iguais. Compartilhamos os mesmos elementos. Ninguém recebe nada diferente. É tudo dividido e é o mesmo para todos. O Senhor compartilhou a sua vida conosco, Ele foi a nossa refeição. Ele não pecou, mas se fez pecado por amor de nós. Ele assumiu os nossos pecados.
Ceia é comunhão. É troca de experiências. É troca de vida. O Senhor nos concedeu a sua vida para que pudéssemos assim viver.
Ceia é esperança.
É maravilhoso o modo como a esperança é demonstrada neste texto. Jesus diz que deseja participar novamente deste ato. Ele diz que participará novamente dele quando vir o reino de Deus. É a esperança da vitória. Faz lembrar Jeremias a dizer que traz à memória tudo aquilo lhe dá esperança.
Ceia é a validação do testamento que foi feito em nosso favor. Todas as vezes que celebramos a ceia estamos dizendo que somos os herdeiros da herança que nos foi deixada pelo Senhor, que ganhamos o direito à vida.
Quando cremos no sacrifício do Senhor, quando nos entregamos a Ele e passamos a celebrá-lo, declaramos que o testamento que é celebrado na ceia do Senhor nos tem como herdeiros do testador.
A ceia é a festa da vitória.
Apesar de vermos o sofrimento do Senhor e de nos entristecermos pelo fato da sua dor e do seu sacrifício, celebramos a vitória. A ceia é a declaração de que a vitória está garantida. Jesus celebra a ceia e diz que este ato será celebrado por ele novamente. Ele está declarando a vitória sobre a morte, está dizendo que nele somos mais que vencedores.
Mas a Ceia é só isso?
Claro que não! Ceia é muito mais. Não podemos ficar apenas dizendo que é ato memorial. Não podemos ficar sem refletir em tudo o que o ato simboliza e a mensagem que ele traz para nós.
Enquanto memorial, nos leva a lembrar-nos do quanto custou a nossa redenção.
Enquanto refeição, nos aproxima uns dos outros para desfrutarmos da alegria de sermos família cristã.
Quando Jesus instituiu a Ceia, Jesus reuniu aqueles que para Ele tinha um valor especial. Viver o cristianismo é fazer a dinâmica da última ceia todos os dias.
Viva como se fosse o último dia da sua vida; viva como se fosse a última oportunidade de celebrar a ceia daquele quem muito te ama, daquele que olhou nos seus olhos e te disse: “você é meu tesouro particular, você para mim é especial”, diz o Senhor.
A ceia é mesa que nos aproxima de Deus e uns dos outros, é a grande oportunidade de estarmos lado a lado.
Esteja atento ao que o Senhor tem para cada um de nós. E Ele tem mais, muito mais!

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